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janeiro 10, 2014

Projeto de lei do 'teste da linguinha' opõe pediatras e fonoaudiólogos

Reportagem publicada no Folha de SP aborda sobre a obrigatoriedade de um teste em recém-nascidos para detectar uma alteração na membrana que conecta a língua ao assoalho da boca está colocando em lados opostos pediatras e fonoaudiólogos. A reportagem pode ser acessada no site da Folha de SP: Projeto de lei do 'teste da linguinha' opõe pediatras e fonoaudiólogos Um projeto de lei que exige a realização do "teste da linguinha" por profissionais de saúde em todas as maternidades no país já passou na Câmara e está no Senado. Irene Marchesan, presidente da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, afirma que a entidade tomou essa iniciativa porque é comum o atendimento de crianças mais velhas com problemas de fala por falta de diagnóstico quando eram bebês. "Problemas que começam pequenos como esse acabam passando despercebidos pelos médicos." Outra vantagem de realizar o teste no recém-nascido, segundo ela, é evitar dificuldades de amamentação que podem ser causadas pela falta de movimentos da língua. Quando o problema da língua presa é detectado, um corte simples da membrana resolve o problema, afirma Marchesan. O projeto de lei para tornar o teste da linguinha obrigatório não prevê a exigência de realização desse corte, mas o procedimento já é feito no SUS. "Se o corte é feito depois que a criança já não fala bem, a fala nunca vai ficar perfeita", diz Marchesan. Mas a Sociedade de Pediatria de São Paulo é contra a aprovação da lei. Um parecer da entidade afirma que o exame da cavidade oral já é realizado rotineiramente pelos pediatras e que a lei criaria uma despesa desnecessária –o que os fonoaudiólogos negam, já que o projeto não prevê que um especialista realize o teste. Ainda segundo a entidade, raramente a alteração no frênulo (membrana que conecta a língua ao assoalho da boca) causa problemas para a amamentação, e a correção pode ser feita mais tarde, não na maternidade. Eduardo Vaz, presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria –que endossou o parecer da entidade paulista–, diz que tornar o teste obrigatório pode levar a cirurgias desnecessárias de corte da membrana. Mário Roberto Hirschheimer, presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo, cita estudos americanos que dizem que só 12% dos casos diagnosticados realmente precisam do corte. Segundo ele, outros testes que já são rotina em recém-nascidos, como o do pezinho, são exigidos porque, sem o diagnóstico e o tratamento precoces, há consequências imediatas para a criança. Para Marchesan, da sociedade de fonoaudiologia, os médicos só pensam assim porque não precisam lidar, anos depois, com problemas de fala irreversíveis apresentados por crianças e adultos. Luciano Veronezi/Editoria de Arte/Folhapress OUTROS TESTES Eduardo Vaz afirma que outros testes importantes realizados nos recém-nascidos, como o do coraçãozinho e o do olhinho, precisam mais de uma lei federal do que o da linguinha. O chamado teste do coraçãozinho mede a oxigenação do sangue do bebê. Uma baixa saturação de oxigênio indica possíveis problemas cardíacos congênitos. "Cerca de 3% das crianças nascem com uma cardiopatia congênita, sendo que 10% delas, cerca de 9.000 bebês por ano no Brasil, têm um problema grave. Uma lei federal garantiria a presença do aparelho necessário para o teste em todos os lugares." Por enquanto, esse exame é previsto em leis estaduais e municipais no país. O teste do olhinho, que também não tem lei federal, detecta problemas na visão que podem ser causados por renitoblastoma (câncer nas células da retina) e catarata, entre outras doenças. Já são obrigatórios os testes do pezinho (um rastreamento de doenças congênitas assintomáticas) e o da orelhinha, que detecta surdez.

dezembro 03, 2013

Novo dispositivo pode ajudar a salvar bebês presos no canal de parto

Dispositivo criado por mecânico argentino ajuda a salvar bebês presos no canal de parto. 

Médicos que avaliaram a invenção acreditam que o instrumento tem potencial enorme para salvar bebês em países pobres e, possivelmente, reduzir os partos por cesárea em países ricos. 

A reportagem foi publicada no jornal americano New York Times e reproduzida hoje pelo UOL: Dispositivo ajuda a salvar bebês presos no canal de parto 


Veja a reportagem abaixo:

Por DONALD G. McNEIL Jr, do "NEW YORK TIMES" 

Jorge Odón teve a ideia enquanto dormia. De alguma maneira, disse, seu inconsciente fez um salto entre um vídeo que ele tinha visto no YouTube sobre como extrair uma rolha de dentro de uma garrafa de vinho e a ideia de que o mesmo princípio poderia salvar bebês presos no canal de parto. 

O argentino Odón, que tem 59 anos e é mecânico de automóveis, construiu o primeiro protótipo de seu dispositivo na cozinha de sua casa, usando um vidro como modelo do útero, a boneca de sua filha no lugar do bebê preso no canal e uma bolsa e manga de tecido costuradas por sua mulher como instrumento que salvaria a vida do bebê. 

Por mais improvável que possa parecer, a ideia ganhou o endosso da Organização Mundial de Saúde, e uma empresa americana de tecnologia médica acaba de obter a licença para produzir o dispositivo.


Com o Instrumento Odón, um assistente desliza um saco plástico dentro de uma manga plástica lubrificada, posicionando-o em volta da cabeça do bebê, infla o saco, para que agarre a cabeça, e puxa o saco até o bebê emergir do canal. 

Médicos dizem que o instrumento tem potencial enorme para salvar bebês em países pobres e, possivelmente, reduzir os partos por cesárea em países ricos. 

De acordo com o médico Mario Merialdi, da OMS, complicações potencialmente graves ocorrem em 10% dos 137 milhões de partos realizados anualmente em todo o mundo. Mais ou menos 5,6 milhões de bebês nascem mortos ou morrem pouco depois de nascer, e 260 mil mulheres morrem ao dar à luz. 

A obstrução do trabalho de parto, que pode ocorrer quando a cabeça do bebê é grande demais ou quando a mãe está exausta e para de ter contrações, é um fator importante nessas mortes. Nos países ricos, o sofrimento fetal resulta numa corrida para a sala de cirurgia. Mas em clínicas médicas pobres em áreas rurais, disse Merialdi, "se o bebê não sai, a mulher não tem a quem recorrer". 

As opções usadas hoje em casos desse tipo são o fórceps -uma espécie de tenaz grande e arredondada- ou a extração por vácuo, com ventosas colocadas sobre o couro cabeludo da criança. Quando usados por pessoas não treinadas, esses métodos podem provocar hemorragias, esmagar a cabeça do bebê ou torcer a espinha dele.

O dispositivo de Odón será manufaturado pela Beckton, Dickinson and Company, ou BD, de Nova Jersey. "Minha primeira reação, assim que vi o dispositivo, foi positiva", contou Gary M. Cohen, vice-presidente-executivo do setor de saúde global da BD. Foi no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça, onde Merialdi lhe pediu que estudasse a possibilidade de produzir o instrumento. 

O dispositivo já foi testado em 30 mulheres argentinas. Todas estavam em hospitais, já tinham dado à luz antes e apresentavam trabalho de parto normal. Agora a OMS vai supervisionar ensaios com outras mulheres. 

Odón contou que, sete anos atrás, funcionários dele estavam imitando um vídeo mostrando que é possível recuperar uma rolha empurrada para dentro de uma garrafa vazia, inserindo na garrafa um saco plástico de supermercado, soprando o saco até ele envolver a rolha e então puxando-o para fora. 

Às 4h da manhã ele acordou sua mulher e lhe contou a ideia que tinha acabado de ter. Odón recorda: "Ela disse que eu estava maluco e voltou a dormir". Na manhã seguinte, um amigo o apresentou a um obstetra. O médico o incentivou, e ele continuou a trabalhar sobre a ideia. O saco costurado por sua mulher deu lugar a um saco de polietileno, e um útero de plástico tomou o lugar do vidro. Com a ajuda de um primo, Odón foi apresentado ao diretor de obstetrícia de um grande hospital de Buenos Aires. O diretor tinha um amigo na OMS que conhecia o Dr. Merialdi. 

Numa conferência médica realizada na Argentina em 2008, Merialdi reservou dez minutos para falar com Odón durante uma pausa para um café. O encontro acabou durando duas horas. Desde então, Odón continuou a aperfeiçoar o dispositivo, patenteando cada modificação para que possa receber royalties em algum momento. 

Cohen disse que ainda é cedo para saber quanto a BD cobrará pelo instrumento, mas cada um deve custar menos de US$ 50 para ser fabricado. Merialdi disse ser a favor da ideia ter fins levemente lucrativos, porque já viu outras ideias com potencial de salvar vidas ter dificuldade em ser concretizadas por falta desse elemento, como as injeções de sulfato de magnésio, que previnem a eclampsia fatal, e os corticosteróides, que aceleram o desenvolvimento dos pulmões de bebês prematuros.

setembro 23, 2013

Engasgo é a 1a causa de morte por acidente entre bebês de até 1 ano

Reportagem de hj que saiu na TV UOL alerta que o sufocamento por engasgo é a primeira causa de morte por acidente entre bebês de até 1 ano no Brasil. Segundo os médicos, na maioria dos casos, os acidentes acontecem por descuido de quem cuida dos bebês. De acordo com o Centro Integrado de Operações da Defesa Civil (Ciods), este ano foram registrados 17 casos de engasgo, sendo os últimos na semana passada.

agosto 24, 2013

Governo faz campanha para atualizar carteira de vacinação

Mamães, Neste sábado começou campanha do Ministério da Saúde para atualizar a carteira de vacinação de crianças menores de 5 anos nos postos de saúde.
Segundo o Ministério da Saúde, até o dia 30 deste mês, serão oferecidas todas as vacinas do calendário básico infantil, como a tríplice viral (contra sarampo, rubéola e caxumba), a DTP (difteria, tétano e coqueluche) e a inativada poliomielite (VIP), que imuniza contra a paralisia infantil.
“Esta é uma oportunidade para checar se as crianças estão com todas as vacinas em dia. Não podemos esquecer que a criança só fica, realmente, protegida depois que tomar todas as doses previstas no calendário básico”, alertou o ministro.
A campanha vai somente até o dia 30 (sexta-feira) deste mês.

Medicina alternativa é tratada como 'intocável', diz pediatra em novo livro

A Folha de SP traz uma entrevista com o pediatra americano Paul Offit, um dos criadores de uma vacina contra o rotavírus (causador de diarréia e mortes em crianças pequenas). Offit lançou recentemente nos EUA o livro "Do You Believe in Magic" que aborda a medicina alternativa e a overdose de vitaminas a que os pacientes são sugestionados a tomar todos os dias. Reportagem completa você pode ver aqui: Medicina alternativa é tratada como 'intocável', diz pediatra em novo livro A favor ou contra a homeopatia e medicina alternativa, discutir a questão é sempre enriquecedor. O livro está sendo vendido na versão online pela Amazon. DO YOU BELIEVE IN MAGIC
AUTOR Paul Offit
EDITORA Harper
PREÇO US$ 12,74 (R$ 30) em e-book na Amazon

julho 30, 2013

Documentário brasileiro questiona adoção indiscriminada da cesariana

Notícia da Folha de SP, pela jornalista Johanna Nublat. Documentário brasileiro questiona adoção indiscriminada da cesariana
Basta que mãe e filho sobrevivam ao parto ou o nascimento deve se transformar em experiência agradável? Será que a prática excessiva de cesarianas terá impacto negativo na humanidade? Essas são algumas questões levantadas no documentário "O Renascimento do Parto" (2013, 90 min), que estreia dia 9 em São Paulo, no Rio e em Brasília e, em setembro, integrará o 6º Los Angeles Brazilian Film Festival. Carol Dias/Divulgação Cena do documentário "Renascimento do Parto" mostra mulher dando à luz em uma banheira O documentário ouve médicos, obstetrizes, doulas e o Ministério da Saúde, numa espécie de manifesto em favor do parto humanizado --em casa ou no hospital. "Muita gente pensa que o filme quer fazer a dicotomia entre cesárea e parto normal. Mas é mais que isso, é mostrar o absurdo do índice de cesáreas e dizer que existe o parto humanizado", diz Érica de Paula, acupunturista, doula e responsável pela produção e pelo roteiro do filme. No filme --dirigido por Eduardo Chauvet, marido de Érica--, são apresentados malefícios das cesarianas marcadas por conveniência, como o risco da prematuridade, e as intervenções realizadas nos hospitais. Talvez a cena mais forte seja a que mostra uma episiotomia --corte na região entre a vagina e o ânus da mulher em trabalho de parto. Por outro lado, o documentário destaca o sentimento de estreitamento de laços no parto humanizado. É quando, segundo o médico francês Michel Odent, os "hormônios do amor" da mãe passam melhor para o filho. "A cabeça da mulher moderna atrapalha. Precisamos nos limpar desses contaminantes mentais, essa coisa de 'a mulher moderna não sabe parir'", diz no filme Naoli Vinaver, parteira mexicana. Um dos depoimentos nesse sentido é o do ator Márcio Garcia e de sua mulher, Andréa Santa Rosa, que escolheram o parto domiciliar para receber o terceiro filho. Apesar de reconhecer a importância da cesárea em casos de complicações, o filme não traz vozes dissonantes nem cita o famoso caso da australiana defensora do parto domiciliar que morreu ao dar à luz em 2012. "A gente não 'acha' nada no filme, é tudo baseado em pesquisas", diz o diretor.

julho 02, 2013

Mães aderem à higiene natural para condicionar bebê a usar penico

Reportagem da Folha de SP de hoje fala sobre as mães "desfraldam" parcialmente o bebê desde recém nascido. Não é uma realidade para a maioria das mães mas realmente interessante para tratar assaduras e infecções difíceis de tratar. Veja abaixo: Mães aderem à higiene natural para condicionar bebê a usar penico JULIANA VINES
DE SÃO PAULO Valentina tinha um mês quando passou seu primeiro dia sem fraldas. A mãe, Jéssica Bonizzi, 22, depois de perceber que a filha "avisava" quando ia fazer xixi ou cocô, resolveu colocar em prática um método que tinha visto na internet, o EC (do inglês "elimination communication", comunicação de eliminação) ou higiene natural. A técnica consiste em aprender os sinais que o bebê dá quando vai fazer xixi ou cocô e, na hora H, levá-lo ao banheiro. "Minha filha dava sinais claros", diz Jéssica. Se ia fazer cocô, ficava vermelha e com o olhar vidrado; se era xixi, dava um gritinho. "Não tinha por que não tentar." No primeiro teste, Jéssica e o marido já conseguiram 100% de aproveitamento: o sucesso fez com que o casal deixasse as fraldas reservadas só para a hora de dormir ou quando saíssem de casa. Jéssica faz parte de uma comunidade brasileira no Facebook sobre higiene natural. Na semana passada, eram 373 membros, entre eles Tamara Hiller, parteira alemã radicada na Bahia e uma das pioneiras do método no Brasil. Hiller conta que a higiene natural se popularizou nos EUA e na Europa na última década e ganha mais adeptos por aqui. Mas, lembra, "trata-se da recuperação de uma prática antiga". "Não usar fraldas é uma realidade em muitas partes do mundo." A parteira começou a divulgar o método depois do nascimento de sua filha, há seis anos. Segundo ela, a técnica ajuda a evitar assaduras e infecções urinárias, porque o bebê não fica muito tempo sujo, além de gerar menos lixo do que usar fraldas descartáveis e ser mais prático do que lavar fralda de pano. Ela defende que o processo comece até os três meses, porque a adaptação é mais simples. "O bebê nasce sabendo dar sinais, nós que os ignoramos." Segundo a pediatra Fátima Rodrigues Fernandes, do Hospital Infantil Sabará, não há estudos mostrando que recém-nascidos tenham controle sobre suas necessidades fisiológicas ou a capacidade de comunicá-las a alguém. Ela diz que a criança pode até ser condicionada a sinalizar quando vai fazer xixi mas que isso é inútil. "Talvez seja melhor gastar essa energia com outros estímulos, como a visão, que se desenvolve aos poucos." O pediatra Marcelo Reibscheid, do Hospital São Luiz, concorda. "É forçar o desenvolvimento de uma habilidade em detrimento de outras." Victor Moriyama/Folhapress Jéssica Bonizzi, 22, percebeu que a filha Valentina, de um ano e oito meses, dava sinais quando queria fazer xixi ou cocô Tamara Hiller argumenta que a prática deve ser encarada como algo natural. "Muitas mães percebem que a criança tem uma rotina de fazer xixi depois de acordar. Por que não levar o bebê para um lugar apropriado?" A produtora Raquel Siqueira Ramos, 30, começou a praticar higiene natural com o filho quando ele tinha seis meses. "Ele começou a fazer cocô sempre na mesma hora, uma vez ao dia." A ida ao peniquinho de manhã virou rotina, mas com o xixi ela não se arriscou. "O Caio passava o dia todo de fralda." Hoje ele está com três anos e meio e desde os dois não usa mais fraldas. A veterinária Hellen Martins Simões, 31, que praticou higiene natural com a filha desde o primeiro mês, diz que a técnica melhora a comunicação entre pais e bebê. "A Maria Julia está com dois anos e não tenta chamar a atenção o tempo todo. Ela sabe que, quando precisar, será atendida." Para a psicopedagoga Georgia Vassimon, o vínculo entre mãe e bebê já é forte. "Fico pensando se essas crianças não serão superprotegidas." Outra preocupação da especialista é o fato de a maternidade já ser cheia de cobranças. "Seria mais uma coisa para se preocupar?" Um lado bom da higiene natural é a estimulação do desfralde, afirma a psicóloga Andreia Calçada. "A fralda tira a percepção da criança de que ela fez xixi. Ela nem fica sabendo que xixi existe." Mas esse estímulo, diz a psicóloga, deve ocorrer quando houver amadurecimento físico. Segundo Fernandes, o controle do esfíncter (músculo que segura o xixi) só acontece por volta dos 18 meses. Reibscheid recomenda que os pais não voltem atrás depois de iniciarem o desfralde, para não confundir a criança. "Por isso é melhor não ter pressa e esperar que ela dê os sinais."

abril 22, 2013

Folha de SP: Longa espera vira rotina para crianças em hospitais particulares de SP

Reportagem de hoje na Folha de São Paulo mostra que a "Longa espera vira rotina para crianças em hospitais particulares de SP". Esse não é somente um problema para quem depende de hospitais públicos. "Entre quarta e sexta, a reportagem (da Folha de SP) foi a 11 dos principais hospitais da cidade com pronto-socorro infantil. A espera média era de duas horas. Na sexta-feira, por telefone, perguntou aos mesmos hospitais se havia vagas para internação. De todos, ouviu: "Estamos lotados". Veja tabela comparativa: Tempo para atendimento em PS infantil constatado pela Folha de SP A longa espera por falta de profissionais nos hospitais também é sentida em outras cidades, como no Rio de Janeiro. Na Barra da Tijuca, há poucas opções particulares de pronto-socorro infantil: o Centro Médico de Pediatria do Barra Shopping e, um pouco mais longe, o Rio's D'or, que fica em Jacarepaguá. As duas opções são sempre abarrotadas. No Centro Médico de Pediatria do Barra Shopping a espera pode passar das 4 horas nos finais de semana ou a noite, quando há apenas 2 pediatras em plantão e um fica responsável por casos urgentes, como suturas por exemplo. Em vista das minhas últimas experiências como mãe (normalmente aflita) numa dessas longas filas de espera, vejo que algo precisa mudar urgentemente. Muitos, como eu, não utilizam o sistema público de saúde que sempre foi deficiente e moroso e, agora, deparamos com a mesma dificuldade utilizando convênios médicos particulares. Imagina se todos que utilizam os convênios voltasse para a saúde pública!!! Colapso, né! A pergunta é: paciente particular, sem intermédio do convênio, enfrenta fila para garantir uma vaga na UTI???? Ou a fila é somente para pacientes de convênios. Veja mais:: Casos mais graves são priorizados, afirmam hospitais

Análise: Médico de família evitaria muitas idas a emergências infantis

Em busca de atendimento para os filhos, pais fazem peregrinação por hospitais

março 18, 2013

Unilever faz recall de lote do suco Ades por risco de queimadura

Empresa diz que problema foi detectado em 96 unidades de suco de maçã. Produto foi envasado com 'solução de limpeza', segundo fabricante. Do G1, em São Paulo Problema foi detectado em 96 unidades do suco de maçã Ades (Foto: Divulgação) A Unilever informou nesta quinta-feira (14) que detectou um problema de qualidade em um lote do suco de maçã Ades de 1,5 litro e que 96 unidades do produto estão inapropriadas para o consumo. Segundo a empresa, o lote com as iniciais AGB 25, fabricado em 25 de fevereiro, com validade até 22 de dezembro, está sendo recolhido. "Nestas unidades, foi identificada uma alteração no seu conteúdo decorrente de uma falha no processo de higienização, que resultou no envase de embalagens com solução de limpeza da máquina. O consumo do produto nessas condições pode causar queimadura", informou a empresa. Segundo a fabricante a falha identificada "já foi solucionada, os produtos existentes na empresa foram retidos e os ainda presentes nos pontos de venda já estão sendo recolhidos". Os produtos do lote com problema foram distribuídos nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. A empresa pede que os consumidores verifiquem o produto já adquirido e, caso se trate do lote mencionado, não o consumam e entrem em contato pelo telefone 0800 707 0044 ou e-mail sac@ades.com.br. Ainda segundo a Unilever, os produtos Ades não correspondentes ao lote com as iniciais AGB 25 "encontram-se em perfeitas condições para consumo". Clientes relataram queimaduras e enjoo Segundo a Unilever, dos 10 atendimentos já realizados pelo SAC até a manhã desta quinta-feira, "sete já receberam atenção médica adequada e estão sendo acompanhados, dois não aceitaram e um não relatou danos físicos". A empresa informou que os clientes atendidos relataram queimaduras na mucosa, enjoo e náusea. Ainda segundo a Unilever, todos já foram medicados, sem necessidade de internação. Em comunicado, o Procon-SP informou que está acompanhando o caso. "A empresa deverá apresentar os esclarecimentos que se fizerem necessários, conforme determina o Código de Defesa do Consumidor, inclusive com informações claras e precisas sobre os riscos para o consumidor", afirmou o órgão.

fevereiro 15, 2013

Mãe se distrai e bebê engole 42 imãs de geladeira

Uma mãe russa quase morreu de susto quando viu que seu filho de 1 ano e quatro meses tinha engolido todos os imãs que ficavam na porta da geladeira. A mulher entrou em pânico ao ver o refrigerador sem nenhum de seus enfeitinhos e sabendo que o bebê ficou sozinho pelas redondezas durante um curto período.

Sem outra saída, a mãe levou o garoto para uma clínica, onde os médicos realizaram alguns exames, e ficaram tão surpresos quanto ela ao notarem a quantidade de pequenos imãs no abdômen do pequeno.

O menino foi, então, levado para um hospital em Chelyabinks, no Reino Unid. Lá passou por uma cirurgia para a retirada de 42 pequenos objetos, que estavam em seu sistema digestivo.

“Ao longo de minha profissão, já removi uma variedade de corpos estranhos, incluindo imãs, de pacientes jovens. Uma vez foram cerca de 20 deles, mas este incidente quebrou todos os recordes”, disse o cirurgião responsável, Nikolay Rostovtev, ao “Daily Mail”.

Conforme informações do jornal, o garoto passa bem após a operação.

Os médicos advertem os pais, em geral, a manterem os olhos nos pequenos, para que incidentes do tipo não aconteçam. Crianças, principalmente nesta idade, colocam na boca tudo que encontram pela frente. Reportagem do Virgula, veja aqui

janeiro 26, 2013

Vídeo: pela 1a vez a voz da Mamãe

Lindo esse vídeo!!! Quando uma criança de 2 anos com problemas auditivos escuta pela primeira vez a voz da sua Mãe.

setembro 23, 2012

Leite E$pecial

No início da tarde deste domingo (23/09) 18 crianças foram internadas depois de consumirem leite embalados em pacotes plásticos. 

Segundo reportagem publicada no UOL, sob título "Após intoxicação de 18 crianças, autoridades interditam fábrica de leite em Santa Catarina", o leite da marca Holandês, continha nitrito que causa intoxicação e entre os sintomas estão arroxeamento da região em volta dos lábios e falta de ar. 

A substância induz a oxidação do ferro da hemoglobina, o que impede o sangue de transportar oxigênio A maioria das crianças intoxidadas tem menos de 2 anos. 

O caso mais grave é o de uma crianças de apenas 3 meses de idade. A pouca idade da criança causou espanto no médico. "Muitas vezes por falta de recursos financeiros, as mães utilizam um produto que não é recomendado para a idade da criança", observa o médico infectologista. 

"Uma criança nessa faixa etária deveria estar sendo amamentada com leite da mãe ou consumindo um composto lácteo, que pode custar até R$ 60 a lata." 

Ok, o caso mencionado foi um equívoco da empresa, a substância não deveria estar no leite, mas essa reportagem me fez pensar na seguinte questão: quem ganha um salário mínimo ou, muitas vezes nem isso, pode comprar uma lata de leite especial por cerca de R$ 50,00???? 

Converso diariamente com pessoas que moram em comunidade. Muitas dessas oriundas do nordeste. Todas dizem que os filhos sempre tomaram leite de vaca e um mingau de farinha, muito comum no nordeste. 

"A enfermeira falou que como eu não tinha leite devia dar um leite especial. Dei logo o leite de vaca. Antigamente não tinha essas coisas não. A gente era criado tudo com mingau", diz a baiana Edinéia, mãe de uma menina de 8 e um menino de 11 anos.

Antigamente não tinhamos tanto acesso a informação. Muita coisa não se sabia, são descobertas recentes que nos permitiram identificar a causa de muitos problemas. 

Uma coisa é certa: nos dias de hoje, mesmo saindo da maternidades informados, a maioria não tem condições para oferecer ao filho tais fórmulas com custo alto.

agosto 31, 2012

Apêndice ou Cisto Pré-Auricular

Muitas crianças nascem com um Apêndice ou Cisto Pré-Auricular. Mas essa pequena deformidade não é motivo de muita preocupação. Meu filho nasceu com um apêndice na orelha esquerda e após ser examinado o pediatra descartou qualquer problema relativo a surdez. No entanto, o que eu desconhecia era a necessidade de fazer um Ultrassom no Abdomen. Exame necessário para descartar alguma malformação renal. Portanto, mamães, fiquem atentas e se o pediatra não mencionar sobre a necessidade do exame, perguntem, questionem.

Saiba mais:

O que é ?

Deformidade congênita do ouvido externo. Quais são suas características ? Apresentam predisposição familiar e frequentemente são bilaterais ( 20 a 33 % ). São mais comuns à esquerda. Não tem origem branquial. Geralmente são malformações isoladas, mas podem estar associadas a surdez e malformações renais.

Qual sua forma de apresentação clínica ?

Apêndice Pré-Auricular : Excesso de pele que aparece na orelha , geralmente acompanhado de cartilagem.

Cisto Pré-Auricular : Pequeno orifício assintomático. Orifício que drena crônica e espontaneamente, ou à pressão, pus ou secreção sebácea. Abscessos pré-auriculares repetidos. Qual é o tratamento ? Apêndice Pré-Auricular : A remoção é feita devido aos aspectos estéticos.

Cisto Pré-Auricular: A cirurgia está indicada devido ao risco de infecção e abscesso local, com posterior formação de cicatriz na orelha. Nestes casos, a taxa de recidiva é de aproximadamente 10% e de infecção pós-operatória de 20 a 25 % . *informações extraídas do blog Cirurgia Pediatrica Curitiba

agosto 30, 2012

Prevenção com ácido fólico é rara e incorreta, por Débora Mismetti, Folha de SP

Matéria de Débora Mismetti originalmente publicada no caderno Saúde+Ciência do jornal Folha de São Paulo em 30 de agosto de 2012. 

Dose da substância na gravidez reduz em 75% a ocorrência de malformações como anencefalia e espinha bífida Levantamento mostra que apenas 13% das mulheres tomam o suplemento, e mesmo assim com dose errada

Uma medida simples para evitar malformações em bebês ainda é pouco adotada pelas brasileiras e será tema de campanha nacional com lançamento marcado para hoje em São Paulo. 

Um levantamento com 500 mulheres realizado pelo médico Eduardo Borges da Fonseca, professor de obstetrícia da Universidade Federal da Paraíba, mostra que só 13,8% tomaram suplemento de ácido fólico antes de engravidar. 

O uso dessa vitamina ao menos 30 dias antes do início da gestação, continuando até o terceiro mês, reduz em cerca de 75% a ocorrência dos defeitos de fechamento do tubo neural (a região do embrião que vai dar origem ao sistema nervoso central). Hoje, 1 em 1.000 crianças nasce com algum desses problemas no país. Os mais comuns são espinha bífida (exposição dos nervos da medula espinhal) e anencefalia. 

A anencefalia leva à morte do bebê. No caso da espinha bífida, a gravidade varia conforme a posição da lesão e a extensão. Algumas crianças não precisam de tratamento e outras podem ser submetidas a cirurgia logo após o parto. 

Mas muitas, mesmo após a operação, sofrem sequelas, como paralisia e dificuldades de aprendizagem. No estudo, feito em João Pessoa, a maioria das que usaram o ácido fólico o fez de forma incorreta, muitas vezes com doses maiores dos que as ideais (de 400 mcg por dia). 

Estudos com animais apontam que a suplementação em excesso pode levar a bebês com baixo peso. Cerca de metade da amostra era de mulheres atendidas pelo SUS e a outra metade, de clínicas particulares. 

"Não houve diferença entre os grupos", afirma Fonseca, que é presidente da comissão de medicina fetal da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia). "Os números que nós encontramos são muito semelhantes aos de um estudo feito em Pelotas (RS) há seis anos. 

A situação não melhorou desde então." O fechamento do tubo neural acontece entre a segunda e a quarta semana de gravidez. No Brasil, segundo pesquisa da Fiocruz com 22 mil mulheres, 55% das gestações não são planejadas. 

"Em geral, a mulher só chega ao médico de dois a três meses depois do início da gravidez, o que já é uma fase tardia para o início da suplementação", afirma o médico. Por isso, um dos focos da campanha da Febrasgo é estimular médicos a informar as mulheres sobre a importância do suplemento durante as consultas anuais. 

A fortificação de farinhas de trigo e de milho com ácido fólico, obrigatória no Brasil desde 2004, consegue reduzir em 39% a ocorrência das malformações. "Mas essa medida não atinge a todas. Muitas mulheres hoje adotam dietas da proteína, com baixa ingestão de carboidrato. Por isso é melhor usar as duas formas de prevenção: a alimentação fortificada e a suplementação."

agosto 16, 2012

Acidentes com crianças

Eles querem experimentar. Querem conhecer a vida que os rodeia. E, com isso surge "armadilhas" que fazem com que nossos bebês se machuquem.

Por mais cautelosas que sejamos é muito dificil uma mãe conseguir impedir que seu filho alguma vez bata a cabeça em ou caia.

Os riscos estão em toda a parte mas se pudermos evitar, melhor!

Acompanhe reportagem extraída do site do médico Drauzio Varella.

Acidentes com crianças

Dra. Denise Varella Katz é médica pediatra, membro do Departamento de Pediatria do Hospital das Clínicas Da Universidade de São Paulo e do Hospital Albert Einstein (SP).

Crianças são mesmo desconcertantes. Em segundos, conseguem escapar do olhar vigilante dos adultos e aprontar alguma estrepolia que lhes põe em risco a vida. Nunca me esqueço de um filme a que assisti sobre o Paulinho da Viola. Num trecho, ele conta que estava lendo jornal, quando a mulher lhe pediu que olhasse o filho enquanto ela tomava banho. De repente, num desses pressentimentos que só as mães têm, do banheiro ela gritou que pegassem a criança que estava caindo na piscina. A explicação do Paulinho da Viola atônito com o incidente — “Criança é assim, está ali naquela hora e de repente não está mais” — exprimiu sua estupefação diante das coisas que as crianças são capazes de aprontar e da falta absoluta da noção do perigo a que se expõem.

Basta um pequeno descuido, e lá estão elas subindo em cadeiras para olhar pela janela, abrindo os armários da cozinha ou chegando perto do fogão aceso, arranjando um jeito de mexer nos produtos de limpeza ou nos remédios, apesar de terem sido colocados em prateleiras altas e aparentemente inacessíveis.

A consequência óbvia dessa característica do comportamento infantil é que elas se machucam a despeito dos cuidados e do olhar vigilante dos adultos. Muitas vezes, felizmente, tudo não passa de um susto. Há ocasiões, porém, em que os acidentes são graves e requerem assistência médica imediata.

TOMADAS E JANELAS

Drauzio – Qual a fase em que as crianças ficam mais sujeitas aos acidentes domésticos?

Denise Katz – A partir do momento em que começam a movimentar-se sozinhas. Quando aprendem a engatinhar, por exemplo, por volta de um ano de idade, as crianças estão “prontas para aprontar”, seja enfiando o dedo nas tomadas elétricas, puxando a toalha da mesa com tudo que tem em cima ou pegando objetos que podem feri-la.

Acidentes domésticos na infância podem ter consequências graves. Uma criança de três anos, por exemplo, que anda, corre, fala, já se veste sozinha e que todos acham esperta e independente, essa mesma criança não tem a menor noção de perigo e é capaz de amarrar uma toalha de banho no pescoço, subir no parapeito da janela e sair voando. Não é que o tenha feito por impulso suicida. Ela acredita que pode voar como os super-heróis da televisão ou como o personagem da historinha do livro que a vovó leu naquela tarde.

Drauzio – Quando começam a engatinhar, as crianças demonstram uma atração irresistível pelas tomadas elétricas e vire-e-mexe estão tentado enfiar os dedinhos nos buracos. Qual o risco que esses choques elétricos podem provocar?

Denise Katz – Embora esses choques elétricos sejam fortes, intensos, a maioria deles não causa grandes complicações. No entanto, em bebês de 10kg, 11kg , podem provocar uma arritmia cardíaca grave, porque a corrente elétrica que entrou pelo dedinho colocado no buraco da tomada, passa não só pelo braço, mas também pelo coração. Ora, como nosso coração funciona às custas de estímulo elétrico, essa descarga extra de eletricidade pode provocar uma desorganização no batimento cardíaco conhecida como a arritmia, às vezes fatal, e a criança morrerá eletrocutada.

Drauzio – Alguns pais não cobrem as tomadas achando que, se tomarem um choque, as crianças aprenderão a não colocar o dedo ali.

Denise Katz – Essa é uma atitude muito errada. É muito mais fácil ensinar um cachorrinho que está sendo domesticado do que um bebê, que está descobrindo o mundo, a não fazer coisas que podem provocar acidentes. A única solução é afastá-lo do perigo. Por isso, as tomadas elétricas devem estar sempre vedadas. Não com fita crepe ou outra fita adesiva, porque ele vai lá, acha o brinquedo interessante, tira a fita e enfia o dedinho no buraco. É preciso bloquear as tomadas de forma a torná-las seguras.

Drauzio – Da mesma forma, também é imprescindível colocar telas ou grades nas janelas.
Denise Katz – As telas de proteção são tão indispensáveis quanto afastar os móveis de perto das janelas. Mesmo o bebê de dez, doze meses que não anda sozinho, consegue empurrar uma cadeira e nela subir desde que encontre alguma maneira para apoiar-se. Não é que o faça porque não está sendo vigiado. Nada disso. Bastam dois minutos de descuido e ele despenca lá do alto.

NA COZINHA

Drauzio – Em geral é na cozinha que os acidentes com criança são mais graves. Como é possível preveni-los?

Denise Katz – A cozinha é um verdadeiro laboratório de acidentes. Por ser um lugar com muitas portas de armários que a criança adora abrir e fechar, desinfetantes e outros produtos cáusticos devem ser guardados em prateleiras bem altas e trancados com chave que não pode ficar a seu alcance. Só assim será possível evitar que uma criança maiorzinha, mais irrequieta e levada, suba num banquinho e consiga abrir a porta para mexer nos produtos ali colocados.

Drauzio – Crianças nunca deveriam entrar na cozinha e circular perto do fogão. Denise Katz – Chegar perto do fogão é muito perigoso, porque nele há sempre vasilhas com água quente ou fogo aceso. Por isso, os cabos das panelas devem estar sempre voltados para dentro. Cabo virado para fora do fogão pode chamar a atenção da criança que resolve pegá-lo. Com ele vem a panela e o que tem dentro que cai sobre a criança, quase sempre provocando queimaduras graves.

Drauzio – Como os pais podem avaliar se a queimadura pode ser tratada em casa ou requer assistência médico-hospitalar imediata?

Denise Katz – As queimaduras que ocorrem com mais frequência em casa são causadas por acidentes com líquidos quentes: água quente, leite fervendo, café que acabou de ser coado, etc. No entanto, as mais graves costumam ser as queimaduras com fogo ou provocadas por explosões. A gravidade do ferimento está diretamente associada à sua extensão e profundidade.

Se a criança se queimou, a primeira providência é colocar a área queimada na água fria para neutralizar a sensação térmica. Isso ajuda a acalmar a criança. Como a dor volta instantaneamente quando o contato com a água é suspenso, recomenda-se cobrir a lesão com um pano limpo – qualquer pano – e levar a criança para um serviço médico imediatamente, pois os pais não têm condição de avaliar se a queimadura é de primeiro, segundo ou terceiro grau.

Drauzio – Nesse momento, é comum as pessoas usarem receitas caseiras – “Ah, minha avó passava tal pomada, pasta de dentes, pó de café, manteiga” – e com isso só pioram o quadro.

Denise Katz – Como não há a menor comprovação de que qualquer um desses produtos tenha propriedades terapêuticas, o melhor é manter a ferida limpa e levar a criança ao pronto-socorro.

Drauzio – Há pais que bloqueiam a entrada da cozinha com grades. Isso ajuda?

Denise Katz – Colocar uma grade na entrada da cozinha é ótima medida para impedir que a criança entre num dos recintos mais perigosos da casa.

PRODUTOS DE LIMPEZA E REMÉDIOS

Drauzio – As crianças são mesmo surpreendentes. Às vezes, os pais não entendem como o filho conseguiu alcançar o produto de limpeza que tinha sido colocado numa prateleira alta e de difícil acesso. O fato é que elas conseguem. O que os pais devem fazer quando a criança ingere uma substância cáustica?

Denise Katz – Devem levar a criança imediatamente para o hospital – a criança e a embalagem do produto. Provocar vômito é uma medida ineficaz e desaconselhada, porque a substância cáustica queimará duas vezes o tubo digestivo: ao entrar e na saída.

E o perigo não está só nos produtos de limpeza (especialmente a água sanitária). Está também nos remédios, que devem ser mantidos em lugares altos e trancados à chave. Ao vê-los, a criança pode achar que a embalagem dos comprimidos é parecida com a das balinhas e resolve experimentá-los.

Drauzio – Funciona dar leite ou água para a criança que ingeriu um produto de limpeza?

Denise Katz – Não funciona. É tempo perdido. Numa situação dessas, não adianta dar leite ou água, nem provocar vômitos. A única coisa a fazer é levar a criança e a embalagem do produto para o hospital.

BATIDAS NA CABEÇA

Drauzio – Quando os outros filhos já eram grandes, um amigo teve um filho temporão. Um dia, fui visitá-lo e encontrei o bebê, que teria um ano, um ano e meio, andando de capacete pela casa. Diante da minha surpresa, ele explicou: “Não agüento mais ver criança batendo a cabeça. Ele anda de capacete para minha tranqüilidade”. Crianças batem muito a cabeça?

Denise Katz – Criança bate a cabeça, mesmo. Bate porque proporcionalmente ela é maior do que as outras partes do corpo. Raramente, porém, a batida provoca uma fratura. Mesmo assim, a recomendação é observar a criança que bateu a cabeça e relatar o fato para o pediatra.

Drauzio – Quando você diz “observar a criança” que bateu a cabeça, quais são os sinais de alerta que indicam a hora de procurar socorro imediatamente?
Denise Katz – O sinal mais importante é o vômito. Vomitou nas primeiras 24 horas depois do acidente, os pais devem levar a criança para o hospital, uma vez que isso pode ser uma manifestação precoce de complicações como fratura, sangramento e elevação da pressão intracraniana.

Outra medida importante é não deixar a criança dormir . Criança que bate a cabeça, em geral, chora muito e depois sente sono. Como a sonolência pode ser um sinal de que tenham ocorrido lesões mais graves, o ideal é manter a criança acordada. Se não for possível, ela deve ser despertada a cada 15, 20 minutos para ver como reage quando conversam com ela ou lhe perguntam alguma coisa.

Drauzio – Quanto tempo é razoável deixar a criança dormir depois que bateu a cabeça e chorou muito?

Denise Katz – Duas horas, mas interrompidas a cada 15, 20 minutos para ver se está tudo bem. Criança que não responde a estímulos, não acorda de jeito nenhum, está mais endurecida (hipertônica) e cujos olhos parecem ausentes, está exteriorizando sinais neurológicos indicativos de que precisa ser levada ao pronto-socorro imediatamente.

Drauzio – Vamos imaginar que a criança caiu e bateu a cabeça no sábado ao meio-dia. Quando os pais podem ter certeza de que nada de mais grave aconteceu?

Denise Katz – Depois de 24 horas de observação; portanto, no domingo ao meio-dia.

Drauzio – E se, na segunda-feira de manhã, ela vomitar?

Denise Katz – Nesse caso, é bom que a criança seja examinada minuciosamente pelo pediatra ou por um neuropediatra. Dependendo dos sinais clínicos instalados, pode ser necessário encaminhá-la para uma tomografia.

DENTES QUEBRADOS E CORTES

Drauzio – O que deve ser feito quando as crianças caem e quebram os dentes?

Denise Katz – É comum a criança cair e quebrar um dente. Mesmo que seja um dente-de-leite, ela deve ser avaliada por um especialista no assunto, porque da integridade da primeira dentição depende a o bom desenvolvimento da dentição.

Drauzio – Embora os cortes, especialmente os cortes na cabeça, sangrem muito, não se deve passar mertiolate, mercúrio-cromo ou água oxigenada no ferimento. Quais são os cuidados indicados nessa situação?

Denise Katz – Quando a criança se corta, o certo é lavar a ferida com água corrente e depois comprimi-la com um pano limpo para estancar a hemorragia. Há pessoas que põem pó de café, talco, serragem, por exemplo, para coibir o sangramento. Isso não deve ser feito nunca por causa do risco de contaminação.

Se a compressão não for suficiente para estancar o sangue, os pais levar a criança para o hospital a fim de suturar a ferida. Isso pode ser feito com calma, sem afobação, mas comprimindo sempre o ferimento. Assim que chegarem ao pronto-socorro, certamente o caso será considerado uma emergência e a criança será atendida depressa.

CRISES CONVULSIVAS

Drauzio – Criança com febre deixa sempre os pais preocupados, especialmente quando a temperatura sobe muito, por causa do risco de convulsão. O que eles devem fazer quando, em virtude da febre alta, a criança tem uma convulsão?

Denise Katz – A crise convulsiva mais comum nas crianças é provocada pela febre alta. Em geral, ela ocorre dos seis meses até seis anos de idade e tem a ver com o aumento rápido da temperatura. A criança estava bem, mas de repente têm uma crise convulsiva, porque apanhou uma infecção de garganta, por exemplo, que fez a febre subir muito de uma hora para outra.

A convulsão febril clássica é benigna e caracteriza-se por abalos e perda de consciência. No entanto, crises prolongadas podem causar lesões no sistema nervoso.

Criança que teve convulsão deve ser logo socorrida e levada ao médico. Enquanto dura a crise, porém, os pais devem deixá-la numa posição o mais confortável possível para que possa respirar. Nada de puxar a língua para fora, nem colocar uma colher boca, jogar água no rosto ou virar a cabeça da criança para baixo. Da mesma forma que apareceu, a convulsão vai passar espontaneamente, sem que seja necessário realizar qualquer uma dessas manobras.

Drauzio – Na verdade, diante de um quadro de convulsão febril, os pais devem manter a calma. Mas, tão logo passe a crise, precisam procurar assistência médica.

Denise Katz – Precisam levar a criança rapidamente para o pronto-socorro para que seja devidamente medicada.

QUEDAS

Drauzio – Tombos são quase rotina na vida da criança. Como a família pode avaliar a gravidade da queda?

Denise Katz – Crianças que andam, também correm e caem. Quando se machucam, sabem dizer onde está doendo. Aí, é preciso distinguir se não foi nada, ou se sofreram um entorse, uma fratura ou uma luxação. (Entorse é uma lesão nas partes moles da articulação e, em geral, provoca edema e vermelhidão; luxação é a perda da posição anatômica normal de uma articulação e fratura, a quebra de um osso).

Como não está totalmente mineralizado – o osso da criança é semelhante ao galho verde de uma planta, portanto difícil de quebrar, mas existem situações em que ele não dá sinal de que sofreu uma fratura. Ao contrário dos ossos dos adultos que se partem totalmente, nas crianças, a fratura nem sempre é completa nem provoca lesões aparentes. Por isso, a criança que se queixa de dor depois de uma queda deve ser levada ao pronto-socorro para verificar se não apresenta uma lesão óssea.

PREVENÇÃO

Drauzio – A melhor forma de evitar acidentes é preveni-los. Como a grande maioria deles acontece em casa, algumas providências precisam ser tomadas com o intuito de impedir que as crianças se machuquem.

Denise Katz – Esse é um ponto-chave a ser discutido. Não adianta falar em primeiros-socorros sem cuidar da prevenção. Se a maioria dos acidentes infantis ocorre em casa, é importante os pais adotarem algumas medidas que ajudam a evitá-los.

Como em qualquer idade a criança está sujeita a um acidente por afogamento, se a casa tiver piscina, ela deve ser cercada com grades. Não adianta colocar uma capa sobre a água, pois essas capas não impedem que a criança caia dentro d’água, e pior, não permitem que saia, mesmo estando consciente.

As janelas devem receber telas que as vedem em toda sua extensão e os orifícios das tomadas de luz rigorosamente tapados. Os cabos das panelas devem estar sempre virados para dentro do fogão e os produtos de limpeza e remédios guardados em armários altos e trancados à chave, que deve ser mantida longe do alcance das crianças.

Sempre é bom lembrar que acidentes não ocorrem só dentro de casa. Acima dos seis anos, acidentes de trânsito são causa importante de mortalidade infantil. Na verdade, acima dos seis meses, o trauma é a principal causa de morte nos países desenvolvidos. Por isso, é obrigação dos pais respeitar a atual legislação de trânsito, garantindo que a criança seja transportada com segurança dentro dos automóveis. Criança só deve sair de casa no banco de trás dos carros; bebês até um ano numa cadeirinha apropriada, firmemente presa com cinto de segurança e, acima de um ano, numa cadeirinha maior, mais adequada ao seu tamanho. A partir dos oito anos, pode sentar-se diretamente no banco de trás, nunca no da frente e sem colocar o cinto de segurança.

Drauzio – Como socorrer a criança que caiu na piscina e bebeu muita água?

Denise Katz – Tão logo a criança que caiu na piscina ou bebeu muita água no mar seja retirada da água, é indispensável garantir que as vias aéreas estejam liberadas para poder respirar livremente. Se estiver respirando, deve-se deitá-la de lado e mantê-la tranqüila até a chegada do serviço de resgate. Se não estiver, é preciso iniciar as manobras de respiração boca-a-boca.

Numa situação como essa, nunca se deve provocar vômitos. A água que está dentro da boca da criança deve ser retirada manualmente ou colocando sua carinha de lado para que verta normalmente.

Drauzio – Vamos lembrar que o serviço de resgate atende pelo número 193.

junho 06, 2012

Amamentação X Formol

1, 2, 3, 4, 5...1000. Tive que contar muito para não matar a minha cabeleireira.

Desde o segundo mês de vida do meu filho frequento um salão perto de casa. Conciliar os cuidados com a beleza com as mamadas frequentes era o meu grande desafio. Sempre chegava com horário limite. Já sai muitas vezes sem secar o cabelo.

Hoje, as mamadas continuam. Mas como o filhote já é um garotão de 1 ano e já está comendo comida (e algumas besteiras) fica tudo muito mais fácil. No entanto, não posso relaxar para os produtos proibidos que podem afetar o leite materno.

A cabeleireira já sabia de toda minha vida materna.



Depois de fazer uma escova definitiva a "querida" me diz que tem um produto milagroso que é ótimo para passar no cabelo que acaba com o frizz. Claro que quis saber mais sobre o tal produto e ela me explica que é "tipo uma hidratação profunda" que nem será necessário passar no cabelo todo, somente no comprimento.

Reluto um pouco mas os exemplos bem sucedidos me fazem aceitar a idéia. Peço para ver o produto e leio os ingredientes do rótulo somente para saber do que se tratava. Nada de mais.

Ela me leva para uma salinha reservada pois disse que o produto fazia fumaça. Vou sem pestanejar. Estou distraída vendo emails, lendo notícias.

Numa sala arejada, não vejo fumaça, não sinto nenhum cheiro diferente. Nada fora do normal.
Voltamos ao salão principal e a "querida" começa a segunda etapa do tratamento: passar a prancha no cabelo inteiro.

Só então sinto um cheiro já conhecido. Quando percebo que é cheiro de formol, cheiro da escova progressiva. Aquela escova "que deixa o cabelo lindo" que deixei de fazer durante a gestação e a amamentação para preservar o meu filho dos efeitos desconhecidos.

Comento que o produto tem cheiro de formol mas que isso era estranho pois não vi nada no rótulo que mencionasse isso. A fofa me diz: "sim, tem só um pouquinho". Eu retruco que não posso com nenhum pouquinho, que ela deveria ter me contado antes, que estou amamentando e ela sabia disso!!!

Quase surto, mas mantenho-me calma, afinal nada vai adiantar, já foi, ela já passou o produto. 

Vou ao ponto. Passo uma mensagem relatando o ocorrido para o pediatra número 2 do meu filho. Nada. 

Meus olhos se enchem de lágrimas. Já começo a imaginar ter que parar de amamentar o meu filho. Não consigo acreditar!!!!

Lembro do pediatra número 1 e mando também uma mensagem. Imediatamente toca o meu celular. Ele diz para tirar o produto do cabelo. E diz que "uma vez não vai ter problema, mas não faça novamente". 

Começo a chorar. Não sei se pelo nervoso que passei ao imaginar cortar a mamada do meu filho por uma cretinice da cabeleireira ou, de alívio, porque vou continuar vivendo alguns dos melhores momentos da vida de mãe.




*ainda não se sabe os efeitos que o formol pode ocasionar. Depois de uma febre da Escova Progressiva com formol, o produto foi proibido e teve sua venda controlada. Continuam a fazer escova com formol mas a porcentagem foi reduzida.

Os médicos não recomendam passar formol, descolorante ou qualquer outro produto durante a gravidez. Já na amamentação, as luzes estão liberadas e algumas químicas mas o formol não é indicado.

junho 04, 2012

Agasalhar demais o bebê pode causar febre e desidratação; identifique os sinais de exagero

Toda mãe zelosa às vezes peca pelo excesso. Com a chegada do frio, é comum que as mães acabem agasalhando demais os filhos, principalmente os recém-nascidos. O exagero gera não apenas desconforto, mas também problemas de saúde para a criança. “A febre é um dos sintomas mais presentes. Muitos dos telefonemas que recebo na madrugada com queixas de febre são resolvidos com a constatação de que a temperatura alta é causada pela dose inadequada de aquecimento", diz o pediatra e homeopata Yechiel Moises Chencinski. Nesses casos, o conselho do médico é simples: retirar cobertor, touca, macacão e luvinha, esperar 30 minutos e medir novamente com termômetro.


Leia o restante da reportagem no UOL...

abril 01, 2012

Terror noturno

"Um dia pode ser que seu filho acorde no meio da noite gritando e mesmo depois de pegá-lo do berço ele não vai parar de chorar. Você vai se desesperar porque ele também não vai abrir os olhos e vai ficar por um bom tempo chorando, gritando. Algumas crianças param de chorar quando escutam as batidas do coração da mãe".


Ouvi essa advertência de uma querida amiga e guardei. Não sabia que suas palavras seriam tão importantes para lidar com esse momento. 


Certa noite acordo com um choro normal do meu filho. Normalmente quando o retiro do berço para mamar, como de costume, o choro cessa. Mas vejo que tem alguma coisa estranha. O choro aumenta. Não é um simples choro de fome ou porque acordou na noite, é um choro de desespero.


Tento dar o peito, ele não aceita. Estranho, ele nunca recusou mamar! Então me recordo das palavras da minha amiga sobre um tal de "terror noturno". Tento colocá-lo próximo ao meu peito para que ouça as batidas do meu coração, como minha amiga sugeriu. Sem sucesso, o choro continua forte.


É desesperador. A vontade é de chorar junto. Só não fico em prantos porque 1) preciso acalmá-lo, 2) porque lembro das palavras amiga e sei que não é nada grave.


Converso, tento acordá-lo mas ele não abre os olhos, só chora, chora! Começo a passear pela casa na tentativa de acordá-lo. Nada! Paro em frente a porta da varanda e bato devagar no vidro com as mãos fechadas para mostra-lhe as estrelas. Num estalo ele abre os olhos, imagino que por ouvir um som diferente. 


Que alívio! É como se ele despertasse de um pesadelo. Para de chorar, olha com estranhamento. Meu filho voltou!!!! Abraço e beijo o meu pequeno que logo adormece mamando, como se nada tivesse acontecido.


Muito obrigada, amiga!

fevereiro 14, 2012

Alimentação saudável para criança desde o primeiro ano de vida

Não resisti. Tive que copiar e colar essa reportagem que aborda  a "alimentação para crianças". Estava há meses na listinha das matérias que merecem ser compartilhadas.


Parabéns a Profa Pollyana Fernandes Patriota e ao Guia do Bebe do UOL.




Alimentação saudável para criança desde o primeiro ano de vida

Profa. Pollyana Fernandes Patriota


A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde (MS), preconizam o Aleitamento Materno Exclusivo, durante os primeiros seis meses de vida, ou seja, a criança deve receber somente o leite materno e nenhum outro líquido ou sólido, com exceção apenas para medicamentos.
Bebê amamentando
O leite humano (LH) fornece para a criança até os seis meses de vida os nutrientes (vitaminas, minerais, carboidratos, proteínas, lipídios, água) de forma suficiente em quantidade e em qualidade e com segurança microbiológica.
Raras são as contraindicações do aleitamento materno e, nestes casos, que somente o profissional de saúde capacitado pode indicar, a melhor saída é procurar um Banco de Leite Humano. Este Banco recebe doações de Leite Humano e possui em sua estrutura um laboratório de qualidade para analisar, pasteurizar, embalar e distribuir adequadamente este leite para os bebês que precisam.
Amamentar é um ato de amor que somente traz benefícios para a mãe e para a criança:
Beneficios para mãe: reduz as chances de desenvolver câncer de mama, ajuda a perder o peso adquirido durante a gestação, melhora o vínculo afetivo mãe-filho, ajuda na regulação adequada dos hormônios maternos, entre outros benefícios.
Benefícios para a criança: favorece um bom desenvolvimento/crescimento prevenindo a má nutrição (excesso de peso/obesidade e baixo peso/desnutrição), previne Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs), tais como, obesidade, diabetes, hipertensão, síndrome metabólica. Além disso, a criança amamentada é mais segura do ponto de vista emocional/afetivo.

Como deve ser a alimentação da minha criança para favorecer um ótimo crescimento e desenvolvimento?

Até os seis meses: apenas o Leite materno.
Àgua: até mesmo nas cidades mais quentes não há recomendação de adicionar água na alimentação da criança até os seis meses de vida. A mãe, por outro lado, precisa manter-se hidratada, através da ingestão de água, sucos de frutas, frutas suculentas. Nunca pense em hidratar-se com refrigerantes e bebidas adocicadas, pois estas além de favorecer o ganho de peso, não cumprem a função de hidratação.
Ingerir de 6 a 8 copos/dia (recomenda-se 1 copo/hora no intervalo das 8 as 19 horas, respeitando-se os intervalos pós-refeições).

Qual seria o risco de dar água para criança em aleitamento materno exclusivo?

Mesmo as águas que compramos engarrafadas podem ser de origem duvidosa e os utensílios normalmente utilizados para fornecer água para a criança (copinhos, chuquinhas, etc.) podem ser fontes de contaminação, mesmo sendo higienizados e guardados, por conta do manuseio na hora de dar a água para a criança. Além disso, pelo aleitamento materno o bebê já recebe cerca de 900 ml de água/dia, o que é completamente suficiente e, qualquer adicional seria considerado excessivo.

Meu bebê completou seis meses de vida e até agora está em aleitamento materno exclusivo, preciso adicionar algum alimento?

SIM. Neste momento a necessidade de adicionar outro alimento existe. Por quê? O Leite Humano sozinho não será suficiente nesta idade, para suprir todas as necessidades nutricionais da criança, para manter o crescimento adequado. Além disso, há a necessidade de uma alimentação diferente da consistência líquida, para que haja o aprendizado da mastigação, deglutição, e desenvolvimento adequado da arcada dentária e, ainda, desenvolver um bom comportamento alimentar.
comportamento alimentar é desenvolvido em grande parte no primeiro ano de vida.
Bebê rodeado de frutas
As preferências alimentares pelo doce, salgado, cítrico, etc., são adquiridos pelo aprendizado nesta fase da vida.
O que isso significa?
Se eu forneço  para o meu bebê, refrigerantes, doces, açúcar refinado, chocolate, salgadinhos, frituras, etc. eu estou ensinando ao meu filho a preferir estes alimentos na idade posterior. Esse conhecimento adquirido vai influenciar na determinação da saúde atual e na idade adulta.
Dessa forma, nós pais somos responsáveis também pelo aumento no desenvolvimento de DCNTs em nossa família e, portanto, em nosso país.
Escuto sempre pais queixando-se que o filho não aceita frutas, hortaliças, etc, quando, na verdade o aprendizado para aceitação do sabor dos diversos alimentos saudáveis não foram fornecidos na época adequada.
Às vezes até os pais oferecem uma vez ou outra esses alimentos, mas não inserem no hábito alimentar familiar, ou o fazem de forma inadequada, misturando todos os vegetais em uma sopa, por exemplo.
Bem, mas eu sou pai, mãe, cuidador do bebê e quero o melhor para ele e decidi influenciar de forma positiva as condições de saúde futura e favorecer um estilo de vida saudável, interferindo, numa maior longevidade, com melhor qualidade de vida.
Graças a atitudes de pais conscientes teremos uma população que viverá mais e sofrerá menos de diabetes, hipertensão, obesidade, desnutrição.

Qual o alimento que eu posso incluir na alimentação do meu filho que completou seis meses?

1) Mantenha o aleitamento materno sobre livre demanda. Nesta idade a criança já definiu a frequência e a duração das mamadas, de acordo com suas necessidades fisiológicas.
Como eu saberei se esta etapa foi estabelecida de forma adequada?
Pelo crescimento e ganho de peso adequados da criança. Na consulta, o pediatra e/ou nutricionista avaliará no gráfico de crescimento se o seu bebê está crescendo de acordo com o potencial dele(a). A curva deverá ser crescente, ascendente, nunca estacionada ou descendente.
2) Adicione a primeira papa de fruta no horário do lanche da manhã, normalmente entre 9 e 9:30h.
A primeira papa de fruta deve ser composta de fruta madura, amassada. Uma fruta deve ser oferecida por vez.
Esta fruta deve ser oferecida durante 3 dias, observando se há sinais de intolerância ou alergia (coceira, inchaço, vermelhidão, sintomas respiratórios, gastrointestinais). A cada três dias, mudar o tipo de fruta.
Qual fruta eu devo oferecer?
Qualquer fruta, desde que bem higienizada. Dê preferência as frutas da época/estação que são mais nutritivas e mais baratas.
Observação: A criança tende a empurrar com a ponta da língua a fruta amassada, por conta de um reflexo normal que ainda está presente nesta fase – a protrusão. Não quer dizer que ela não gosta e está rejeitando aquele alimento.
A criança não conhece o doce, salgado, o azedo, pois o leite materno tem um sabor exclusivo que não encontramos em nenhum outro alimento. Nesta etapa é importante não tomar decisões pela criança. Se a mesma empurra com a língua, faz caretas, não quer dizer que não gosta. É apenas uma adaptação à novidade, um sabor novo por vez.
3) Primeira papinha “salgada” para a criança.
Recebe este nome não por conter sal em excesso, mas por diferenciar-se da papa de frutas que tem sabor predominantemente doce.
Ela deve ser composta por um alimento de cada grupo apresentado abaixo:
Fonte : Adaptação da Sociedade Brasileira de Pediatria ( 2008).
GrupoExemplos
Cereais, tubérculosarroz, aipim/macaxeira/mandioca, batata-doce, macarrão, batatinha, cará, farinhas, batata-baroa/mandioquinha, inhame, milho.
LeguminosasFeijões, lentilha, ervilha seca, soja, e grão-de-bico.
Legumes, verduras e frutasFolhas verdes, laranja, abóbora/jerimum, banana, beterraba, abacate, quiabo, mamão, cenoura, melancia, tomate, manga.
Carne ou ovoFrango, peixe, pato, boi, ovo*, miúdos e vísceras.
(*) O ovo inteiro (gema e clara) cozido pode ser adicionado na alimentação da criança ao completar seis meses, mas seu uso deve ser avaliado pelo profissional de saúde que acompanha a criança. Deve-se levar em consideração se existe história familiar de alergia alimentar comprovada.
ATENÇÃO! Esses alimentos devem ser fornecidos bem cozidos e amassados.

Recomendações importantes:

- Lavar bem os alimentos retirando a sujeira, larvas, insetos, etc.
- Cozinhar bem os alimentos. No caso de legumes e verduras, preferir o cozimento no vapor.
- Nunca coar, peneirar ou liquidificar.
- Nunca fazer sopa, cada alimento deve ser oferecido de forma separada, pois como posso desenvolver o paladar para aceitação do feijão, por exemplo, se não aprendi o sabor do feijão?
Qual a quantidade  de alimentos que devo oferecer em cada refeição?
A partir de 6 meses: iniciar com 2 a 3 colheres de sopa e aumentar conforme a aceitação.
A partir dos 7 meses: 2/3 de uma xícara 
De 9 a 11 meses: 3/4  de uma xícara
12 a 24 meses: 1 (uma) xícara ou 250 ml.
OBS.: respeitar os sinais de fome e saciedade da criança. Crianças amamentadas desenvolvem um controle eficaz da saciedade. Não adotar esquemas rígidos.
Adaptação da Sociedade Brasileira de Pediatria (2008).
Esquema Alimentar para crianças de seis a 12 meses de vida.
IdadeTipo de alimento
Até completar 6 mesesAleitamento materno exclusivo
Ao completar 6 mesesLeite materno,1 papa de fruta e 1 papa salgada.
Ao completar 7 mesesLeite materno, 1 papa de fruta e duas papas salgadas*
Ao completar 8 mesesGradativamente passar para a alimentação da família (saudável)*
Ao completar 12 mesesAlimentação da família (saudável)**
(*) Duas papas salgadas, sendo uma no horário do almoço e outra no horário do jantar.
(**) A alimentação da família que se refere nesta tabela é uma alimentação com consistência normal (livre), mas livre de frituras, não excessivamente condimentada, sem adição de temperos prontos e gorduras (enlatados, embutidos, gordura animal).
Referências bibliográficas:
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção á saúde. Departamento de Atenção Básica. Dez passos para uma alimentação saudável: guia alimentar para crianças menores de dois anos: um guia para profissionais de saúde na atenção básica/ Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à saúde. Departamento de Atenção básica – 2ª. Edição – Brasília. Ministério da Saúde 2010.
Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de orientação para a alimentação do lactente, do pré-escolar, do escolar e do adolescente e na escola / Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento de Nutrologia – 2ª edição – São Paulo: SBP,2008.
Profa. Pollyana Fernandes Patriota - Colunista do Guia do Bebê

Profa. Pollyana Fernandes Patriota
Mestre em saúde Materno-infantil